Pois é, meu amigo. Sessenta e dois anos se passaram e a imagem da rosa estúpida ainda gera o meu silêncio. Meu silêncio em luto do passado, do presente e do futuro. Rosa atômica. Será que 62 anos depois, a rosa da vida brote no jardim de almas em Hiroshima?
A lágrima derramada por tantos fez brotar a flor da comoção. Comoção em pensar que o futuro será uma flor despetalada no deserto. Comoção tenho eu em pensar que a gente morre. E tantos morreram sem saber que de fato o fim chegava. Fim da humanidade. Fim da dignidade humana.
Só peço uma coisa: não se esqueçam da rosa. Um minuto.

Meu silêncio vale mais que mil mentiras.
Uma eternidade.
